O Mercosul atravessa um momento de grande relevância geoestratégica em 2026 com o impulso decisivo dado à assinatura do Acordo de Parceria Abrangente e Comércio com a União Europeia (UE), um processo que encerra mais de 25 anos de negociações e tem potencial para redefinir as relações comerciais entre os dois blocos.
Em 9 de janeiro de 2026, o Conselho da União Europeia autorizou formalmente a assinatura de dois instrumentos jurídicos: o Acordo de Parceria UE-Mercosul e o Acordo Provisório sobre Comércio. Esses instrumentos têm como objetivo institucionalizar e modernizar as relações econômicas, políticas e de cooperação entre os 27 Estados-membros da UE e os países do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — estabelecendo um marco estratégico de longo prazo.
O acordo está estruturado em três pilares centrais: diálogo político, cooperação e comércio. Além da liberalização comercial, incorpora compromissos em áreas como desenvolvimento sustentável, meio ambiente, direitos trabalhistas, mobilidade e transformação digital, refletindo uma abordagem mais abrangente das relações econômicas internacionais.
O Acordo Provisório sobre Comércio foi concebido para permitir a aplicação antecipada das disposições comerciais, possibilitando que empresas e investidores comecem a se beneficiar da redução progressiva de tarifas, da ampliação do acesso a mercados e de regras mais claras para o comércio de bens e serviços, enquanto os processos de ratificação seguem em curso.
Quando plenamente em vigor, o acordo deverá constituir uma das maiores zonas de comércio preferencial do mundo, abrangendo mais de 700 milhões de consumidores. Para as empresas, esse novo ambiente pode significar maior previsibilidade regulatória, integração de cadeias de valor entre Europa e América do Sul e novas oportunidades de investimento e internacionalização.
Apesar do potencial, permanecem desafios relevantes. Existem preocupações quanto a impactos assimétricos em determinados setores, especialmente na agroindústria e em segmentos industriais sensíveis, o que reforça a importância de períodos de transição, mecanismos de salvaguarda e estratégias empresariais bem estruturadas.
Nesse contexto, a leitura estratégica do acordo torna-se essencial. Mais do que um instrumento comercial, o avanço do acordo UE-Mercosul sinaliza uma reconfiguração das relações econômicas globais, em um cenário marcado por tensões geopolíticas, reorganização das cadeias produtivas e fortalecimento de blocos regionais.
Para empresas, investidores e empreendedores com ambições internacionais, esse novo enquadramento exige análise técnica, planejamento e capacidade de execução.
A BWTC, como consultoria especializada em intermediação de negócios internacionais, apoia organizações na identificação de oportunidades, mitigação de riscos e estruturação de estratégias de entrada e expansão em mercados europeus e sul-americanos.
Ao consolidar um espaço econômico ampliado entre dois blocos estratégicos, o acordo UE-Mercosul representa um ponto de inflexão com impactos de médio e longo prazo. A capacidade das empresas de compreender e se posicionar diante desse novo ambiente regulatório será determinante para transformar o potencial do acordo em crescimento sustentável.
Fontes:
Conselho da União Europeia – Comunicado sobre a autorização para assinatura do Acordo UE-Mercosul (9 de janeiro de 2026)
Conselho da União Europeia – EU-Mercosur Agreements Explained



